Marcos Moraes

musiclover

O Sorriso

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Na frente de uma câmera, simulamos vários sorrisos no famoso “xis” das lentes. Sorrisos ás vezes falso, ás vezes com um leve toque de falsidade e quase sempre, falsos por completo.

Se você estiver ao lado de uma pessoa e se alguma não lhe agradar, bem, neste caso, aquele sorriso do tipo “se eu pudesse fazer desaparecer” é, em geral, o sorriso real, o sorriso verdadeiro. Bem, depende do ângulo que você analisa o sorriso. De fato, boa parte de nossos sorrisos não são carregados de bons pensamentos.

Se você encontra mil reais enrolados em notas de cem reais, eu considero este sorriso um sorriso de felicidade, mas, ao mesmo tempo, um sorriso de pura preocupação. Um sorriso amarelo por saber que aquele dinheiro não lhe pertence, mesmo se você não tiver conhecimento do verdadeiro dono da bagatela.

Já parou para pensar nas coisas que você pensa quando tira uma foto ao lado daquele seu “concorrente” do trabalho? Barbaridades seriam ouvidas por todos se seu cérebro possuísse alto-falantes. Mas o inevitável sorriso de cordialidade estará ali soando como a voz metalizada de um volcoder.

E que sorriso você dispensa para aquele cara mais esperto, inteligente e bonito que lhe cumprimenta?

Apesar da sutil diferença, sorrisos falsos e verdadeiros são produzidos por músculos diferentes, que por sua vez são ativados por partes do cérebro distintas. Os sorrisos falsos são feitos de forma consciente e requerem habilidades específicas, dentre as quais, contrair as bochechas. Já sorrisos genuínos são produzidos de forma inconsciente, e a pessoa tem como uma das reações um movimento dos músculos da boca.

 

A cabeça humana é repleta de maus pensamentos, o tempo inteiro. Somos quase sempre incapazes de demonstrar afeição. Somos inevitavelmente falsos, falsos moralistas, mas inteligentes quando queremos passar uma falsa imagem a alguém.  Somos inteligentes e dissimulados quando queremos mostrar da forma contrária aquilo que o coração sente ou está sentindo no momento. Mesmo que os olhos não consigam esconder por muito tempo o coração, o sorriso tende a permanecer inalterado na camuflagem.

Mas não posso generalizar quanto ao falso sorriso. Somos capazes de expressar bons pensamentos e bons sorrisos para aquela pessoa o qual admiramos e que, quase sempre, esta pessoa não imagina a dimensão de seu contentamento ao vê-la. Os olhos saltitam e os dentes aparecem por completo.

Por enquanto, fico por aqui.

Escrito por marcosmoraes

14:Julho, 2008 às 2:40 pm

Publicado em meio pessoal

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